Resposta islâmica ao Miss Mundo

No último dia 18, aconteceu, na Indonésia, o Miss World Muslimah 2013 (algo como Miss Muçulmana). Criado em 2010 em resposta ao tradicional concurso Miss Mundo, que também terá sua final realizada, esse mês, na Indonésia (país com maior população islâmica do mundo).

Nos bastidores, as candidatas jantam. Sim, caro leitor, elas participam de um concurso de beleza mas ainda podem comer. Nesse sentido, as mulheres islâmicas estão acima de nós.

Diferente dos outros concursos de Miss, o World Muslimah, além de exclusivo para as mulheres muçulmanas, não se caracteriza pelo padrão de beleza apelativo dos vestidos super decotados e trajes de banho ousados. A aparência conta, mas vem muito abaixo de outros requisitos, e em uma perspectiva cultural singular, pouco explorada e até subestimada.

“Queremos simplesmente mostrar ao mundo que o Islão é belo”, explica a vencedora de 2013, Obabiyi Aishah Ajibola, 21, da Nigéria, a partir dessa visão estereotipada que se tem do Islã. O Hijab, item obrigatório no concurso, deixou de ser apenas um ícone do conservadorismo islâmico para ser também acessório fashion entre as mulheres, sem o sentimento de opressão por parte de quem usa. É uma decisão incorporada voluntariamente, e algo que pouco importa para algumas correntes islâmicas.

As vestimentas não deixam de ser lindas por serem específicas da cultura muçulmana. A riqueza de cores e detalhes nas estampas, bordados e pedrarias dão glamour até aos tecidos mais tradicionais e encorpados.

Participante segura cópia do Corão nos bastidores.

Ao substituir as apresentações de canto e dança, as candidatas são avaliadas enquanto recitam versos do Alcorão e explicam o motivo de terem escolhido usar o hijab. Dentre os requisitos avaliados pelo júri: inteligência intelectual, espiritual e emocional, personalidade, estilo, devoção e conhecimento religioso. É coroada vencedora quem aplica os valores islâmicos na vida cotidiana.

Obabiyi venceu entre 20 finalistas da Indonésia, Brunei, Malásia, Nigéria, Bangladesh e Irã. O prêmio inclui 25 million rupiahs (R$5mil), e viagens para Índia e Meca.

Obabiyi Aishah Ajibola, Miss World Muslimah 2013 é coroada por Nina Septiani, World Muslimah 2012.

Nem tudo são flores: Miss Mundo desencadeia protestos na parte externa do prédio MNC Tower, onde será realizado o evento.

Protestos liderados por radicais islâmicos contra o Miss Mundo na Indonésia, no último dia 3. “Vá para o inferno, Miss Mundo” (foto), e outros cartazes que diziam “rejeite o Miss Mundo que explora as mulheres” foram levantados durante a manifestação.

Sobre os protestos pela realização do Miss Mundo na Indonésia, o Conselho de Ulemás, grupo de clérigos mais influente do país, pediu que o governo cancelasse o evento porque “a exposição do corpo da mulher em tal tipo de competição viola os ensinamentos islâmicos”. Julia Morley, da organização do Miss Mundo, confirmou que nenhuma competidora vai vestir biquíni.

Para garantir a segurança, o Miss Mundo, que seria em Jakarta, vai ser realizado em Bali. Os organizadores criticaram o governo indonésio por não dar suporte ao evento, mas de todos os lugares do mundo escolheram o país com mais adeptos islâmicos para produzir um concurso de beleza que – não é segredo – vai contra os valores e as tradições desse povo. Que desnecessário…

 

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