Polêmica: Frida “makeover” repaint

Quando você acha que a ditadura da beleza não pode mais quebrar nenhuma barreira ela quebra a do tempo, do espaço e da arte. A imagem que está circulando na internet desde 2012 refaz o auto retrato da Frida Kahlo. Nele, vemos uma Frida quase irreconhecível moldada pelos padrões estéticos impecáveis do que seria, hoje, o aceitável social e culturalmente. 

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O tumblr com o nome “toonsketchbook” postou na rede social o que ele mesmo intitulou de Frida makeover repaint. Junto da “obra” o comentário abaixo:

“Ok, então eu sei que isso é meio tabu, mas de qualquer maneira. Frida Kahlo: Não é muito agradável aos olhos. Quero dizer, ela tem o bigode e a monocelha. Ela não sabia onde colocar o blush ou qual a cor de batom que combinaria com seu tom de pele. Realmente, ela é meio que um desastre. Então, isso me levou a pensar. O que teria acontecido se as amigas tivessem feito a coisa certa e levado para uma esteticista (o que claramente precisava acontecer)?”

O incômodo com a aparência da pintora mexicana inspirou o “artista” a recriar o visual de um dos seus auto retratos. Reparem que sutilmente a cor do batom foi trocada, o tom de pele homogenizado e as olheiras apagadas. Me atrevo a dizer que essa Frida usa sombra creme, um marronzinho no côncavo e delineador. Básica. Ela ousa nas roupas, nos acessórios, na sua arte!

+ O estilo de um mito: Frida Khalo

Todos os seus pelos foram estrategicamente retirados. Sua expressão não é mais a mesma. Pinça, laser, cera quente, fria, morna, fervendo […]! Todos os artifícios para desnaturalizar o natural nas mulheres. É bom reforçar, nas mulheres. Esforços nunca são poupados, ou você não é “muito agradável aos olhos”. Frida Kahlo, então, é um “desastre”.

A menos que.. Quase 60 anos após sua morte, seu legado ultrapasse a tinta sobre a tela e, a intensidade da sua dor estampada nas cores primárias e brilhantes vire tendência e continue sinônimo de resistência. Assim como seu penteado mais característico – a trança-tiara – e toda uma releitura do seu estilo e beleza marcantes – a sobrancelha mais grossa e natural vem desde o inverno e continua forte no verão. 

Trança-tiara à la Frida Kahlo nos desfiles de Rebecca Minkoff, Fatima Lopes e Naeem Khan (Foto Imaxtree)Trança-tiara à la Frida Kahlo para o verão 2014 nos desfiles de Rebecca Minkoff, Fatima Lopes e Naeem KhanPara copiar, separe o cabelo em duas mechas e trance-as. Encontre as pontas das duas tranças na parte de cima da cabeça, formando uma tiara, e esconda as pontas para dentro, prendendo com grampos.

Para lançar a coleção Verão 2014 de sua segunda marca, a PatBo, a estilista mineira Patricia Bonaldi inspirou-se na musa mexicana. Assim como as roupas, a beleza do desfile, criada por Henrique Martins, trouxe muita cor e tons vibrantes. Uma versão moderna e fresca da artista. Afinal, todxs somos Frida! E não ao contrário.

Como o usuário do tumblr não existe mais, o autor da modificação ainda é desconhecido. Mas podemos dizer que, no mínimo, ao reduzir o trabalho de uma vida aos pelos do rosto, se trata de alguém que não reconhece – nem merece –  a beleza dilacerante do trabalho da mexicana.

“La belleza y la fealdad son un espejismo porque los demás terminan viendo nuestro interior.” – Frida Kahlo

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O estilo de um mito: Quando Frida Kahlo foi capa da VOGUE México

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Durante seus 47 anos de vida, foi marcada por uma série de acidentes, lesões, doenças e operações que mesmo destruindo sua auto-estima e seu corpo, serviam de inspiração para suas pinturas. Em virtude da poliomelite que contraiu aos 6 anos de idade e um acidente que quase a matou aos 18, passou a usar calças largas, vestidos e saias longas que, mais tarde, seriam a marca registrada do estilo da artista.

Antes tarde do que nunca, em 2012, Frida Khalo – ícone do surrealismo mexicano – estampou pela primeira vez a capa da revista VOGUE com a imagem feita pelo fotógrafo Nickolas Muray. A campanha visava promover a exposição “As Aparências Enganam: Os vestidos de Frida Kahlo” realizada na Casa Azul – onde viveram Frida e seu marido Diego Rivera, em intenso amor e conturbado casamento – no cidade do México, e agora Museu Frida Khalo.

A exibição expôs pela primeira vez ao público, em novembro de 2012, peças do guarda-roupa de Frida nunca antes vistas, assim como jóias, acessórios, e peças íntimas.

“[…] en todas las reuniones a las que asisto y en cualquier parte que estoy, el centro de atención soy yo: con mis hermosos trajes bordados de los indígenas, con mis tocados de flores e inválida […]” Desde sua época seu estilo já chamava atenção, sendo quase impossível não associar Frida aos seu estilo “excêntrico”, rompendo pilares morais e estéticos da sociedade. Além do excesso de panos, babados e caimentos cobrirem sua deficiência, as cores fortes como o vermelho remetiam ao sangue sempre presente ao longo de sua vida; nos inúmeros abortos e acidentes que sofrera, nas paixões, nos lábios e unhas. Quando se vestia, também, era notável o orgulho que sentia de ser mexicana. Com bordados feitos a mão por tribos indígenas e estampas étnicas e florais, Frida Kahlo simplesmente ditou a moda atual há mais de 60 anos atrás.

Looks preferidos da exibição “As Aparências Enganam: Os vestidos de Frida Kahlo” feita pela VOGUE México em novembro de 2012

“Lo que no me mata me alimenta”